sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sony x Hackers: um momento histórico nos EUA, mas não como você esperava


Para os que estão por fora das notícias ultimamente, a Sony Pictures produziu um filme chamado "A Entrevista", programado para estrear na época de natal nos Estados Unidos. O filme é uma típica comédia norte-americana e conta com James Franco e Seth Rogen no papel de dois jornalistas convocados pelo governo para assassinar o líder norte-coreano Kim Joung-un.


O líder norte-coreano não aprovou o filme, por motivos óbvios, e o porta-voz oficial do país declarou que o lançamento do filme seria um "ato de terrorismo e de guerra", e que não seria tolerado. Parece que ninguém nos EUA deu muita bola e a Sony declarou que lançaria o filme mesmo assim. Inclusive, Seth Rogen comemorou no twitter.

O que ninguém esperava era que houvesse realmente alguma retaliação em relação ao filme, mas no final de novembro hackers conseguiram invadir os servidores da Sony Pictures. Centenas de dados vazaram, desde documentos e salários de funcionários, até emails e roteiros de filmes.

Até aí, nada que fizesse a Sony Pictures parar com a divulgação do filme. Eis que o grupo hacker por trás das invasões tocar no calcanhar de Aquiles dos americanos: o 11 de setembro; o que fez com que as maiores redes de cinema do país cancelassem a estreia do filme em suas 18 mil salas espalhadas pelos Estados Unidos. Em seguida, a própria Sony cancelou o lançamento do filme.

Não é a primeira vez que o mundo subestima o poder da Coreia do Norte, mas é a primeira vez que nós vemos do que ela é capaz. Oficialmente, o porta-voz norte-coreano nega a participação do país nos ataques. Entretanto, os Estados Unidos já estão apontando todos os dedos para os norte-coreanos.

Independente de quem tenha praticado o ataque, uma coisa é certa: os EUA foram pressionados dentro do seu próprio país, de novo. Os cinemas se recusaram a passar o filme, a própria Sony Pictures derrubou o lançamento do filme em todos os países e até um filme de Steve Carell que envolvia a Coreia do Norte no roteiro foi cancelado.

Estamos vivendo a guerra do futuro. A guerra da inteligência e da informação. E os hackers estão no comando da situação com todas as informações que a Sony mantinha em segredo. Os americanos querem que a Sony ignore as ameaças e reaja.



Mas a Sony não parece que pretende reagir, e o motivo disso pode estar em alguns dos dados já vazados. Além de fofocas do mundo das celebridades, filmes que ainda não foram lançados, e até o roteiro de um novo filme do James Bond, alguns vazamentos foram mais alarmantes:  primeiro, uma troca de emails entre um produtor e a vice-presidente da Sony Pictures, Amy Pascal, fazendo piadas sobre a cor de pele do presidente Barack Obama. Isso parece bastante grave, mas não é o mais chocante. Os maiores estúdios de Hollywood (Sony, Fox, Universal, Paramount, Warner Bros. e Disney) e a MPAA (Motion Picture Association of America) se juntaram para realizar o "Projeto Goliath".

O projeto se resume em acabar de vez com a pirataria, bloqueando todos os sites envolvidos, e atacando o que eles consideram a principal fonte: o "Goliath". Pelo teor dos emails, o termo "Goliath" poderia ser facilmente substituído por "Google". Em alguns emails, a coalisão de estúdios cita o Google diretamente, deixando claro, na visão deles, que uma guerra legal precisa acontecer para tirar o serviço de buscas da jogada.

A Sony Pictures com certeza não quer correr o risco de um ataque terrorista durante a exibição de seu filme, mas essa não parece ser a principal razão para que o estúdio tenha desistido da estreia. Pode apostar que tem muito mais sujeira debaixo do tapete.

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Arthur De Lio

Author & Editor

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