sexta-feira, 7 de junho de 2013

Manifestação à Europeia: o brasileiro vai à rua.



Quinta-feira, seis de junho de 2013. Quatro manifestações simultâneas tomaram conta do país. Natal/RN, Goiânia/GO, Rio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP.

Na semana anterior, protestos contra o aumento da tarifa em Porto Alegre/RS tiveram resultado. O aumento foi revogado. Foi a faísca final para acender a chama do povo. Assista o vídeo. São três minutos que te farão arrepiar por cada centímetro.


Não vai dar em nada? from Zeitgeist FIlmes on Vimeo.


A manifestação simultânea já era sabida pelo governo e pela polícia. Estava marcada desde segunda-feira. Mas as proporções e o destino que elas tomariam eram inimagináveis. O brasileiro não aguenta mais. O brasileiro quer mudança. E o brasileiro aprendeu a se organizar.

Nos últimos dois anos, vários protestos vêm ocorrendo, sempre de forma pacífica, e sempre com confronto policial, com os PMs alegando ataques dos manifestantes. Pouco a pouco, aprenderam. Agora os manifestantes andam com câmeras, filmando cada movimento da polícia. Cada detalhe. Máscaras caseiras à prova de gás lacrimogêneo para garantir que ninguém MORRA numa manifestação pacífica - porque, sim, o gás pode matar, se não for usado corretamente.

Parece guerra, mas é apenas o cidadão implorando pelo direito de ir e vir. (RJ)

Nesta quinta-feira, os manifestantes colocaram em prática tudo o que aprenderam. São os manifestantes que começam os ataques? A depredação é gratuita? Assistam esse vídeo de quatro minutos da manifestação no Rio de Janeiro. Quatro minutos que podem mudar sua opinião. Quatro minutos que provam que a polícia ataca uma manifestação pacífica.





Bombas de gás lacrimogêneo são lançadas a esmo nos manifestantes cariocas, que atacam apenas com palavras. Palavras que clamam por justiça. Por Ordem e Progresso, e não por baderna. Somos livres para falar - e livres para denunciar.

MANIFESTAÇÃO NÃO É CRIME - É DEMOCRACIA.

E por que então os policiais atacam mesmo assim? Porque se uma vitória em Porto Alegre causou todo esse ímpeto, imagine se os manifestantes conseguirem realmente revogar o aumento em São Paulo ou no Rio de Janeiro? Com certeza outras manifestações viriam, e o povo pediria mais e mais. O governo seria obrigado a realizar as suas... obrigações! Já parou pra pensar nisso? Seriam obrigados a dar melhores condições básicas de saúde, melhores transportes públicos, melhor educação, e talvez até a acabarem com a corrupção!

Em São Paulo, estima-se entre mil e três mil manifestantes. O protesto começou às 18h e só dispersou perto das 22h, com promessas de continuar no dia seguinte. Com gritos que ecoavam "Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar!", os manifestantes fecharam as Avenidas 23 de Maio, Paulista e 9 de Julho num dos protestos mais enérgicos já vistos em terras tupiniquins.

Avenida 23 de Maio fechada por manifestantes. (SP) (Foto: Carta Capital)

Lixo pegando fogo em frente à estação Brigadeiro do metrô. (SP) (Foto: Carta Capital)

Manifestantes colocaram fogo em cones e bloquearam avenidas no centro de São Paulo. (Foto: Carta Capital)


Policiais de choque em manifestação pacífica na avenida Paulista. (SP) (Foto: Carta Capital)

No Rio de Janeiro, estima-se entre quinhentos e mil manifestantes. Os manifestantes não são mais otários. Agora eles estão organizados e preparados, como demonstra a página do Anonymous Rio:

"Vamos ratificar que na manifestação de segunda UMA manifestante foi detida, e agora DUAS, o que nos faz relembrar o que já estamos vindo mencionando isto a algum tempo, esta é uma tática usada na Europa, e que já foi, e está sendo usada pela Tropa de Choque no RJ o policial X fica encarregado de agredir a uma mulher na manifestação, causando assim, a revolta dos homens na manifestação, proporcionado assim "motivos" para a Tropa de Choque agir, esta tática foi usada recentemente na manifestação de reabertura do Maracanã na qual era um protesto contra sua privatização, um policial da Tropa de Choque pisou (como o coturno, e para quem conhece, sabe que a dor causada por um pisão deste calçado é insuportável.) no pé de UMA manifestante, causando revolta dos homens, e dando "aval" para toda aquela covardia que vimos. Vamos a cada vez mais, estar atentos a isso!"

O governo vem usando de táticas sujas para incitar os manifestantes, e assim poder prendê-los com motivos. Mulheres são "sacrificadas" pelos policiais apenas para tentarem prender o resto do grupo com base em algum motivo.

Caio Martins, um dos líderes do Movimento Passe Livre, expôs bem o pensamento dos manifestantes:

"Fogo e depredação aconteceu mesmo depois que a polícia chegou jogando bomba. Pôr fogo em lixo e fechar rua não machuca ninguém. Violência foi o que a polícia fez. Mas não vamos parar. Amanhã tem mais, já está marcado: 17h no Largo da Batata"

Não são criminosos. São manifestantes lutando pelos seus direitos. Se fossem criminosos, teriam saqueado todas as lojas durante a manifestação, mas o objetivo não é esse. São pessoas de bem, assim como você, trabalhadoras, com apenas uma diferença: elas estão fazendo a sua parte, enquanto você as critica porque "se atrasou pra voltar pra casa".

Os manifestantes não querem a baderna nem o vandalismo. Querem apenas viver num país melhor. Não são os manifestantes que causam a violência no país. Todo dia morre gente inocente. Por que temos que sonhar em um dia ser que nem os Estados Unidos? Por que não podemos simplesmente ser no mesmo nível, e pronto? Por que temos que aceitar toda essa violência e palhaçada com nós mesmos?

Manifestantes no centro do Rio de Janeiro. (RJ)


Outro vídeo, desta vez da Carta Capital, que mostra o cenário de guerra no qual a avenida Paulista, em São Paulo, se tornou.



O maior cuidado que é preciso ter neste momento, é com a grande mídia. O povo precisa do povo, e a mídia quer destruir isso. Só mostram o que lhes convém. Não acredita? Veja este vídeo curto para aprender sobre manipulação midiática.





É possível contar um monte de mentiras, só falando a verdade. É possível que dois protestos justos, a favor do povo, sejam tratados de modo diferente. Ainda não acredita?



O brasileiro nunca é manifestante. É sempre um vândalo que um dia sonha em ser manifestante europeu. E o próprio povo, oprimido, protege o opressor.

Para os jornais brasileiros, o foco nunca é a melhora que o país talvez tenha. É sempre o trânsito. Porque carro e futebol desperta todo o tipo de sentimento de ódio que o brasileiro possui no coração, e faz até o mais pobre perder a noção.


Já no Estadão, o foco foi, além do "vandalismo",  o congestionamento recorde de 160km este ano na cidade - quando a média é 138km.

E essa outra notícia do Globo, merece uma atenção especial. Com o título de "Protestos contra reajuste de ônibus provocam tumulto em 4 capitais", chama atenção por um pequeno detalhe no meio do texto:

"O GLOBO encontrou uma mulher desacordada dentro de um veículo na Avenida Paulista atingido por uma das bombas de gás atiradas por policiais. O motorista do carro, Claudio José de Moraes, disse que eles estavam parados no engarrafamento, após sair do trabalho, quando o artefato entrou no veículo. Intoxicada pela fumaça, a mulher, identificada como Maria Cristina, desmaiou. O motorista ainda aguardava socorro."

Esta notícia deveria ser: "Polícia joga bomba de gás lacrimogêneo dentro de carro que não tinha nada a ver com o protesto, ferindo cidadãos inocentes."

Manifestante não tinha bomba, não tinha arma, nem porrete. Não queimaram ninguém, não bateram em ninguém!

A polícia saiu cegamente batendo em quem lhes convém. Jogando bomba de gás às cegas. Sem preparo ou treinamento. E pior: depois pegam a porra do ônibus pra voltar pra casa!


Nunca uma música fez tanto sentido.

"Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
(...)
A polícia diz que já causei muito distúrbio
O repórter quer saber porque eu me drogo
O que é que eu uso
(...)
Revolução na sua vida você pode você faz
(...)
Eu sei como é difícil
Eu sei como é difícil acreditar
Mas essa porra um dia vai mudar
Se não mudar, pra onde vou?
(...)
O que eu consigo ver é só um terço do problema
É o Sistema que tem que mudar
Não se pode parar de lutar
Senão não muda
A Juventude tem que estar a fim
Tem que se unir"




About the Author

Arthur De Lio

Author & Editor

Has laoreet percipitur ad. Vide interesset in mei, no his legimus verterem. Et nostrum imperdiet appellantur usu, mnesarchum referrentur id vim.

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