sábado, 11 de maio de 2013

Até quando você vai insistir em não enxergar?

Desde 1964, não havia eleições diretas para presidente no Brasil. O período militar foi duro, e castigou todo o povo brasileiro. Em 1984, Tancredo Neves foi eleito para ser o presidente que redemocratizaria o país, de forma indireta.

Entretanto, Tancredo nunca assumiu a presidência, vindo a falecer no mês seguinte à posse oficial. Até seu último momento, o presidente que nunca governou fez o máximo que podia para evitar uma reviravolta de João Figueiredo, que tinha intenções de estender seu mandato até 1989 e partir direto para eleições diretas.

Há controvérsias se Tancredo foi feliz ou infeliz em conseguir assegurar a posse de seu vice, José Sarney. No entanto, a história já estava escrita e, em 15 de março de 1985, José Sarney se torna o primeiro presidente não-militar no Brasil, ainda sem participação direta do povo.

É neste cenário que temos a eleição de 1989. Brasileiros fervorosos para poder escolher seu presidente pela primeira vez em 25 anos, extremamente oprimidos por uma ditadura. Coincidindo com o finalzinho da Guerra Fria, onde socialismo/comunismo eram sinônimos de ditaduras e "tudo que há de ruim", e adicionando a facilidade que a TV possuía para manipular seus telespectadores.

Para os mais jovens, deve ser difícil imaginar isso, já que a internet causou uma gigantesca revolução nas informações. Porém, naquela época, a principal fonte de informação da maioria das famílias brasileiras era a televisão, e principalmente a Globo.

Os grandes candidatos adversários na época foram Collor e Lula, e muito me surpreende o povo ter sido cego frente às propagandas do Collor.

Não consegui encontrar no Youtube as propagandas eleitorais nas quais ele aparece andando em carros de luxo e jet ski, declarando que abriria a economia e tornaria esse sonho possível para todos os brasileiros. Acredito que a maioria dos brasileiros estão esperando até hoje.


"Quase todo aquele luxo te deixou confuso,
e aquela vida fútil comprou mais um inútil."



Na última propaganda, Collor ataca Lula trazendo sua ex-mulher e assuntos nada relevantes para a política. E sempre relembra, com muita emoção, que é preciso votar 20-Collor para fazer seu primeiro voto valer a pena.

Eis que então chega o momento do último debate, e 20 anos depois, a manipulação escancarada é revelada.


Não bastando a manipulação visual do debate, o Jornal Nacional do dia seguinte faria cortes precisos para manipular todo o conteúdo dos projetos.


Numa das declarações de Collor, ele diz:

"- De um lado está a candidatura do centro democrático, por mim representada. Por outro lado, está uma candidatura que exposa teses estranhas ao nosso meio. Teses Marxistas. Teses estatizantes."

Se prestarem atenção, o discurso do Collor é basicamente atacar o Lula e o PT. Mais nada. E o discurso do Lula é muito editado. Por pior que fosse o candidato, nenhum seria burro a ponto de falar que o nordestino é uma sub-raça, por exemplo. Ainda mais o Lula, vindo de lá. A televisão provou mais uma vez o poder de tirar frases do contexto e criar inimigos onde não existem.

Ao final do jornal, a Globo faz questão de lembrar do seu papel "importante" na democracia brasileira, ajudando a escolher o seu melhor candidato, e apelando novamente para a emoção do primeiro voto em tantos anos. Pura manipulação midiática a favor de Collor.

Com tudo isso, Collor foi eleito e tomou posse em 15 de março de 1990. 24 horas foram suficientes para anunciar o tão difamado confisco das poupanças.



Lembram-se de como o novo presidente frisava que Lula tinha teses "esquisitas", "marxistas" e "estatizantes"? Pois bem, vejam agora a Ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, explicando como funcionava a reforma na economia.


Para alguém que criticava o adversário marxista, seu plano econômico parecia muito útil para salvar as classes baixas e estraçalhar as classes médias e altas. Inclusive, a ministra deixa isso bem claro no vídeo.

Hoje existem teorias que defendem o Plano Collor e sua eficácia, algumas realmente comprovadas, se tivesse sido levado à sério até o fim. Poderíamos passar por inúmeras suposições e análises, entretanto, o que aconteceu já aconteceu, e o plano econômico não resolveu a inflação, aumentou o desemprego e destruiu as poupanças de muitos brasileiros. No mais, a maior parte do seu plano .

No meio de seu mandato ocorreu o processo de impeachment e a cassação dos direitos políticos do presidente, dando lugar ao vice, Itamar Franco, que, junto ao Fernando Henrique Cardoso, implantaram o Plano Real, que viria a estabilizar a economia do país.

O impeachment derivou das diversas denúncias sobre corrupção, somadas à pressão popular e, acreditem, o apoio da mídia, que provavelmente se sentiu enganada quando suas economias escoaram pelo ralo. O grande delator dos casos de corrupção foi seu irmão, Pedro Collor de Mello.

O mais incrível é que mesmo depois de tantas denúncias de corrupção, e do mal que tantos brasileiros dizem terem sofrido com o governo do Collor, ele tenha conseguido se reeleger.

Suas propagandas eleitorais não mudaram muito, continuam bem enganosas, como esta, de 2010.


Na propaganda, é dito que existe um "preconceito óbvio contra nordestinos", e que Collor foi cassado por ser nordestino, e ainda mais, na cara-de-pau, é dito ser Ficha Limpa. Para os que não sabem, apesar dos pais de Collor serem de Alagoas, ele e todos os seus irmão nasceram no Rio de Janeiro (ou você achava que aquele sotaque dele era nordestino?) com exceção de seu irmão, Pedro Collor, o autor das denúncias.


"Foi você quem colocou eles lá,
mas eles não estão fazendo nada por vocês.
Enquanto o povo vai vivendo de migalhas,
eles inventam outro imposto pra vocês.
Dormem bem despreocupados os caras do senado.
Dormem sossegados os que fizeram este estrago."


Se o seu candidato mente na propaganda eleitoral, por que ele seria um bom político? Duvide do seu candidato. Não acredite em todas as informações na propaganda eleitoral, nem em twitter, facebook, ou o que quer que seja. Política não é futebol, não passa de pai pra filho e não existe amor por um partido ou candidato, pois eles não terão amor por vocês. Pesquise; vote consciente.

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Arthur De Lio

Author & Editor

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